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Mães que Cultivam: entre o cuidado, a resistência e a luta pela liberdade.

  • Foto do escritor: Letícia Ravelly
    Letícia Ravelly
  • 21 de mai.
  • 2 min de leitura

Existe uma revolução silenciosa acontecendo dentro de milhares de casas brasileiras. Ela não nasce nos gabinetes políticos, nem nos grandes laboratórios farmacêuticos. Nasce no quintal, na varanda, no improviso de uma estufa montada com amor e desespero. Nasce das mãos de mães. 

Mães que cultivam maconha para salvar seus filhos. 

Enquanto o Estado criminaliza, essas mulheres estudam. Enquanto a sociedade julga, elas aprendem sobre genética, extração, dosagem, terpenos e fitocanabinoides. Enquanto muitos enxergam preconceito, elas enxergam possibilidade de vida.


Nenhuma mãe começa a cultivar cannabis porque acha “bonito” enfrentar polícia, processos e perseguição social. Elas começam porque a dor bateu na porta primeiro. Porque o remédio industrializado custa caro demais. Porque o SUS não consegue garantir acesso. Porque crises convulsivas não esperam burocracia. Porque ver um filho sofrer muda completamente a relação de qualquer mulher com a lei, com o medo e com o mundo. 


A criminalização da cannabis nunca impediu essas mães de lutar. Pelo contrário: transformou mulheres comuns em pesquisadoras, ativistas, agricultoras, cuidadoras e defensoras de direitos humanos. Muitas delas chegaram na cannabis sem nunca ter fumado um baseado. Chegaram pela necessidade. Pela urgência. Pelo amor.


E é justamente por isso que proteger mães cultivadoras é uma questão urgente! 

Nenhuma mãe deveria correr risco de prisão por plantar o próprio remédio do filho. Nenhuma família deveria depender de habeas corpus para garantir tratamento. O cultivo doméstico e associativo precisa deixar de ser tratado como caso de polícia e passar a ser entendido como política pública de saúde. 

Cultivar maconha também é um ato de autonomia. É romper a dependência de um sistema que historicamente negou acesso à população pobre, periférica e nordestina. É construir soberania sobre o próprio tratamento. É transformar medo em conhecimento.


Mas essa caminhada ainda é marcada pela resistência diária. Resistência contra operações policiais violentas. Contra o racismo institucional que define quem pode plantar e quem será criminalizado. Contra a hipocrisia de um país que aceita remédios importados à base de cannabis, mas persegue quem cultiva a própria medicina. Contra uma guerra às drogas que nunca foi sobre drogas, sempre foi sobre controle social.


As mães cultivadoras seguem ensinando ao Brasil uma verdade poderosa, cuidar também é um ato político. Cada planta cultivada por essas mulheres carrega muito mais que folhas e flores. Carrega noites sem dormir, vaquinhas para comprar equipamentos, estudos,, redes de apoio e uma coragem que o sistema jamais conseguiu arrancar. São mães que transformam dor em luta... Enquanto houver uma mãe cultivando para salvar uma vida, a maconha seguirá florescendo como ferramenta de cuidado, dignidade e liberdade.


Tem mãe plantando esperança

No quintal da resistência

Transformando a maconha

Em cuidado e consciência 


Não cultiva por luxo não

Nem por fama ou diversão

Cultiva porque conhece

A aflição no coração

De ver filho adoecendo

Sem resposta e solução 


Aprendeu sobre a planta

Extração e dosagem

Virou cientista em casa

Na força e na coragem

Enfrentando preconceito

E também muita pilantragem 


Mas o sistema violento

Ainda insiste em perseguir

Quem só planta a própria cura

Pra seu filho conseguir

Como pode uma mãe dessas

Ser tratada igual bandido ruim? 


Salve as mães cultivadoras

Desse país desigual

Que enfrentam medo e injustiça

Contra um sistema brutal

Plantando amor e esperança

Num jardim medicinal.



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